Extraordinário curso em 10 lições, com questionários incluídos, ideal para refletir, realizar um diagnóstico e reconstruir os relacionamentos familiares, sempre com a palavra e a noção de Amor como fundamento.

Lições

Resolver Conflitos Familiares

?Sejam modestos, humildes, pacientes e tolerantes. Mostrando assim que se amam uns aos outros? (Efésios 4:2).

Todo o casamento é a união de dois indivíduos que levam para ele as suas opiniões, peculiaridades e valores. Assim, não é de admirar que, mesmo nos casamentos mais felizes, marido e mulher tenham que enfrentar muitos problemas conjugais. Alguns conflitos são sem importância e passageiros, mas outros podem ser de grande complexidade e intensidade sendo, muitas vezes, recorrentes. Por vezes, os casais sentem-se mergulhados em desavenças e podem afastar-se um do outro como medida de protecção.

No entanto, os conflitos são parte integrante da vida conjugal e, quando resolvidos positiva e adequadamente, são factor de crescimento e de consolidação da relação. Segundo Peralin, ?o casamento duradouro é o resultado de um par de habilidades para resolver conflitos inevitáveis no relacionamento. Muitos casais tendem a comparar o baixo nível de conflito com a felicidade e crêem que a alegação ?nunca nos zangamos? é sinal de saúde, porém eu creio que crescemos no nosso relacionamento ao reconciliar as nossas diferenças.?

I - Causas Gerais dos Conflitos

O conflito conjugal é um desacordo dos cônjuges numa determinada área da sua existência comum. Pode ser de natureza económica, social, físico-ambiental, psicológica, sexual, etc..

Segundo uma sondagem feita na Grã-Bretanha em 1998, as principais causas de disputa nos casais são o dinheiro, os hábitos pessoais (em particular a desordem), a educação dos filhos, as tarefas domésticas, a sexualidade, os pais e os amigos de ambos, a comunicação, a divergência de interesses. Face a estas questões, os cônjuges têm visões e sensibilidades diferentes porque vêm de famílias diferentes, porque fizeram percursos pessoais diferentes, porque têm temperamentos diferentes e porque são homem e mulher, ou seja, diferentes.

A ? Como tirar partido das diferenças

Na Lição 1, vimos sobre as diferentes maneiras que os homens e as mulheres têm de viver o amor. Diferenças aparecerão também em muitos outros aspectos da relação. É importante ter em conta que, fequentemente, os diferentes se atraem. Inconscientemente, somos atraídos pela pessoa que, pelas suas peculiaridades, nos aportam o que nos falta. Mas, passada a fase da ?lua-de-mel? as diferenças que antes nos atraíram podem tornar-se fonte de irritação e de conflito. Por isso, é indispensável aprender a conjugar as diferenças da seguinte maneira:

1) Reconhecer a sua importância ? As diferenças são positivas porque são, quase sempre, complementares, promovendo assim mudanças e crescimento mútuo.

2) Aceitar as diferenças ? Aceitar sem juízo de valor. A maneira de cada um agir pode não ser má nem boa, apenas diferente. Homens e mulheres precisam de sentir-se aceites e amados para poderem pensar nas mudanças que devem operar.

3) Falar sobre as diferenças e usá-las ? Falar sobre as diferenças permite delimitá-las, compreendê-las e desdramatizá-las. É importante considerá-las como oportunidades e não como obstáculos, e usá-las na compreensão das situações e na resolução dos conflitos.

B ? Satisfação de necessidades

Todo o homem e mulher tem, em relação ao casamento, enormes expectativas, esperando um do outro a satisfação das suas necessidades. São necessidades físicas, sociais, afectivas, de apoio, de reconhecimento, de companheirismo e outras, algumas delas nunca confessadas.

O ingrediente para um bom casamento é descobrir as necessidades um do outro, sobretudo as emocionais, e fazer todo o possível para as preencher, quer pareçam lógicas ou não. Lembrando que:

1) Pessoa alguma pode satisfazer todas as necessidades do outro. Cada indivíduo é diferente, e as necessidades da pessoa diferem dia a dia, de semana para semana. A pergunta que cada um deve fazer a si mesmo é: ?Como posso descobrir e satisfazer as necessidades do meu cônjuge?? Se as necessidades do seu cônjuge forem impraticáveis ou egoístas, pode dizer: ?Apesar da minha boa vontade, não posso satisfazer essa tua necessidade.?

2) No relacionamento conjugal, em vez de esperarmos que as nossas necessidades sejam satisfeitas, devemos procurar satisfazer as do outro. Quanto mais maduro um cônjuge for, menos exigências fará ao outro, e mais capaz será de interessar-se pelas necessidades dele. A pergunta a ser feita não é: ?Como posso ter todas as minhas necessidades satisfeitas?? mas sim: ?Como poderei satisfazer as necessidades da pessoa com quem me casei, mostrando-lhe assim o meu amor??

II - Como Resolver um Conflito

1) Identificar o problema. Há várias etapas a seguir para a resolução de um conflito. A primeira é ver se este tem origem numa necessidade pessoal e qual é essa necessidade. Uma boa parte dos conflitos tem origem em necessidades não satisfeitas ? seja a nível da comunicação, do afecto, do apoio, do sexo, etc.. Ou se se trata de um conflito de papéis ? frustração de alguma expectativa sobre o desempenho do outro. Ou se se trata de um conflito de valores ? concepções diferentes a nível das finanças, da saúde, da religião ou da família. Identificar o problema é delimitá-lo, o que permite encontrar soluções mais facilmente.

2) Esperar o momento propício. Um inquérito feito pela Associação Relate, mostrou que metade das disputas dos casais tinham lugar à noite. Evite falar sobre as vossas divergências nos últimos e precipitados minutos antes da saída para o trabalho, ou quando o seu cônjuge está sob stresse. Escolha um momento de calma em que ele esteja mais disponível.

3) Saber escutar. Em vez de considerar que o problema é do outro, considere-o como sendo um problema do casal, cuja solução deve ser encontrada pelos dois. Escute calmamente o que o outro tem para dizer; na paixão da discussão, a tendência instintiva é querer, a todo o custo, que o outro aceite o nosso ponto de vista.

4) Exprimir a opinião própria. O desacordo leva algumas pessoas à verbosidade e por vezes à agressividade, enquanto outras se fecham no silêncio; para bem da relação, mesmo o cônjuge mais introvertido deve apresentar o seu ponto de vista e exprimir abertamente o que pensa e sente.

5) Evitar acusações. Evitar acusar o outro de maneira expressa ou velada. Como vimos na Lição 2, sobre a comunicação, não se devem usar frases em que entrem as palavras ?nunca?, ?sempre?,? jamais? ou ?tu?, porque geralmente veiculam crítica e acusação.

6) Reconhecer os erros próprios. Admitir que erramos é uma das coisas que, como seres humanos, maior dificuldade temos em fazer. Cada um procura desesperadamente justificar-se e mostrar que tem razão. Pode não ser agradável para o nosso orgulho reconhecer que errámos e pedir perdão se necessário, mas esse é o preço a pagar para a construção do casal. Ganhar sempre pode traduzir-se em grande perda para a relação.

7) Permanecer no assunto. Fale sobre o problema que deseja falar sem fugir para outros assuntos. Não queira resolver vários problemas ao mesmo tempo. É importante ir resolvendo adequadamente cada conflito à medida que se vão apresentando, para que a discussão de um não arraste todos os outros não resolvidos, dificultando a objectividade e a comunicação.

8) Fazer uma lista de possíveis soluções. Marido e mulher devem elaborar uma lista de possíveis soluções para o problema. Depois devem avaliar cada uma, escolher aquela que seja mais aceitável para os dois e implementá-la. Se não funcionar, recomeçar escolhendo outra solução. Não desistir até encontrar a resolução satisfatória, para os dois, do problema.

III - Atitudes Face ao Conflito

A maioria das pessoas não trata abertamente os conflitos porque estes as fazem sentir-se ameaçadas e porque ninguém as ensinou a fazê-lo de modo eficaz. No aspecto positivo, os conflitos provêm oportunidade para crescimento em qualquer relação; mas os conflitos não resolvidos e enterrados surgem regularmente das suas sepulturas e impedem vidas e relacionamentos saudáveis. Assim, é indispensável tomar uma atitude construtiva face aos conflitos. Vejamos as atitudes negativas e as positivas.

A ? Retrair-se

Os que vêem o conflito como uma inevitabilidade desesperada, sobre a qual podem exercer pouco controlo, tendem a demitir-se tomando a atitude de fuga, fingindo não ver o problema ou negando-o ou então tomando a atitude de submissão, aceitando a solução proposta pelo outro, mesmo quando não está de acordo. Esta atitude é muito negativa porque há um que adere à decisão do outro sem estar de acordo. O seu assentimento é de fachada ou por medo de afirmação pessoal, o que vai minar a saúde da relação.

B ? Ganhar a todo o custo

Os que escolhem ganhar a todo o custo, impondo ao cônjuge a sua solução, são os que, sentindo-se ameaçados na sua auto-estima, pelo conflito, lutam para ficar sempre por cima. São os ganhadores que não pensam no outro, que não valorizam os seus sentimentos, necessidades ou direitos. Para estes, as relações pessoais são secundárias relativamente à sua necessidade de terem sempre razão.

C ? Ser assertivo

A pessoa assertiva é aquela que afirma os seus direitos, expressa as suas necessidades, valores, preocupações e ideias pessoais de modo directo e apropriado, ao mesmo tempo que não viola as necessidades do outro e respeita o seu espaço pessoal. A pessoa assertiva utiliza métodos de comunicação que lhe permitam manter o respeito próprio e reconhece os mesmos direitos no cônjuge. Não abusa, não domina. Na atitude assertiva não há vencedores nem vencidos. Ambos ganham porque a resolução dos conflitos se busca não na base de ?quem é mais forte? mas do respeito mútuo, e as soluções são negociadas de maneira a satisfazer a ambos. É esta atitude que cumpre o mandamento de Jesus: ?Amarás ao teu próximo, como a ti mesmo.?

No entanto, a assertividade não é um dom que só alguns têm. Ser assertivo é algo que se aprende, pela compreensão, pela vontade e pela prática. Quando os cônjuges enfrentam juntos um problema e resolvem um conflito sem fugir, sem agredir através de acusações ou críticas, mas negociando e procurando, de maneira assertiva, o bem comum, estão a cumprir o conselho do apóstolo Paulo:

?Se porventura se irritarem contra alguém, não lhe façam mal. Não devem deixar que o sol se ponha, sem terem dominado a vossa irritação? (Efésios 4:26).