Extraordinário curso em 10 lições, com questionários incluídos, ideal para refletir, realizar um diagnóstico e reconstruir os relacionamentos familiares, sempre com a palavra e a noção de Amor como fundamento.

Lições

Educar para a Vida: Disciplinando

?Ensina ao menino o caminho que deve seguir, e assim, mesmo quando for velho, não se afastará dele? (Provérbios 22:6).

Milhões de novos pais e mães assumem, cada ano, uma tarefa que se estima estar entre as mais difíceis que alguém pode desempenhar, a de ter um filho; um pequeno ser que é quase totalmente indefeso, assumindo a inteira responsabilidade pela sua saúde física e psíquica, e por educá-lo de modo a que se torne um cidadão de valor. Não há tarefa mais difícil e exigente do que esta. Além disso, somos muito bem preparados para o desempenho profissional, mas não somos ensinados a ser pais. Só aprendemos fazendo-o, e é por isso que os pais não podem deixar de cometer erros, geralmente os mesmos que os seus pais cometeram com eles. Isto é verdade particularmente no que se refere à disciplina.

I - O que é Disciplina

No contexto da educação de uma criança, disciplinar é formar o espírito e o carácter da mesma, para que esta possa tornar-se um membro construtivo da sociedade e capaz de dirigir-se a si mesma, ou seja, de ser autónoma, capaz de pensar e agir por si própria. A autonomia é o objectivo último da disciplina e da educação. A palavra disciplinar tem a mesma raiz que a palavra discipular, tornar discípulo, ou seja, orientar para que o indivíduo siga um determinado caminho.

Disciplinar implica, pois, treinar, formar, através de instruções verbais e escritas, assim como pelos jogos, pela experiência escolar, pela imitação, pelo estabelecimento de normas e regras, pelo exemplo e... pela punição. Esta, não é senão um meio, entre outros, de disciplinar e é o mais primitivo e o mais negativo.

II - Quatro Estilos Parentais

Tomando como referências as atitudes de apoio e de disciplina, em que apoio se refere ao amor e à qualidade afectiva da relação, e disciplina à capacidade de orientar estabelecendo regras e fazendo-as respeitar, os pais podem dividir-se em três tipos, a que chamamos estilos parentais.

1) Pais agressivos

São pais demasiado exigentes e preocupados com a necessidade de controlar. São pouco acolhedores dos sentimentos e emoções dos filhos, dando-lhes pouco apoio emocional. Estão quase sempre zangados com os filhos. Esta atitude pode nem resultar do seu mau comportamento; podem estar zangados com muitas outras coisas mas fazem-no pagar aos filhos. A maneira de libertarem a sua tensão é humilharem os filhos. Comunicam-se gritando e usam o medo e a ameaça como principal meio para controlar o comportamento dos filhos. Os pais agressivos dominam, mas não influenciam. O autoritarismo priva-os de autoridade junto dos filhos.

Efeitos desta atitude sobre a criança:

? As crianças sentem a intenção destrutiva das humilhações.

? Fecham-se em si mesmas e podem ficar profundamente perturbadas.

? Podem tornar-se rebeldes e desafiadoras, medrosas e tímidas, ou uma mistura de ambas as atitudes.

? Quando, pela independência pessoal, o medo desaparecer, estes filhos, então livres, farão o contrário do que lhes foi imposto.

2) Pais Permissivos

Os pais permissivos são pais que dão muito carinho e atenção aos filhos, mas que exercem muito pouco controlo sobre o seu comportamento. Demitem-se completamente, deixando os filhos comportarem-se mal e fazerem tudo o que desejam. Podem tentar afirmar-se, mas acabam sempre por ceder às exigências dos filhos. As regras existem, mas ninguém lhes obedece. A criança reina no espaço familiar. Este tipo de pais é, actualmente, o mais frequente nas socidades ocidentais.

Efeitos desta atitude sobre os filhos:

? Os filhos crescem desobedientes, sem saber o que devem ou não devem fazer, sem limites ao seu comportamento.

? Crescem inseguros por falta de firmeza dos pais.

? Têm dificuldade em fazer amigos porque não reconhecem os direitos dos outros.

? Não são apreciados pelos adultos, fora do círculo familiar, por terem comportamentos indesejáveis.

? Sentem-se rejeitados e mal amados, tendo os mesmos problemas das crianças a quem não foi manifestado amor.

3) Pais assertivos

São os pais que dão muito apoio emocional aos filhos e exercem controlo, suficiente e inteligente, sobre o comportamento dos mesmos.

Os pais assertivos são firmes, determinados e, interiormente, bastante confiantes e descontraídos, não se sentindo ameaçados pelo conflito. Os filhos sabem que aquilo que os pais dizem é para cumprir, mas, ao mesmo tempo, sabem que serão sempre acolhidos com verdadeiro interesse, amor e respeito. Nunca serão rebaixados ou humilhados. Estes pais fazem pedidos firmes e claros e dão ordens se for necessário, estabelecem regras consistentes e são coerentes com elas. Sabem negociar à medida que a criança cresce e se torna mais capaz. Sabem perdoar os filhos e reconhecer os seus próprios erros. Os pais assertivos são o modelo para o qual todos os pais devem tender. A assertividade é algo que se pode aprender com algum esforço, boa vontade e prática.

Efeitos desta atitude sobre os filhos:

? Aprendem a confiar nos seus próprios sentimentos.

? Aprendem a regular as suas próprias emoções e a resolver problemas de maneira positiva.

? Têm uma elevada auto-estima. São seguros, aprendem com facilidade e sem medos.

? Relacionam-se facilmente com os outros e fazem muitos amigos.

? São bem-vindos em qualquer lugar. Podem ter êxito em qualquer empreendimento.

III - Algumas Dicas Para Uma Disciplina Eficaz

a) Amor, base de toda a disciplina ? levar a criança a sentir-se amada é a parte mais importante da disciplina. Manifeste-lhe o seu amor, respeito e atenção. Interesse-se pelo que faz, porque o faz, e não apenas porque isso o incomoda a si. Um mau comportamento pode indicar fadiga, frustração, medo, sentimento de abandono, necessidade de atenção especial. Satisfaça as necessidades emocionais do seu filho.

b) Faça pedidos ? Pedir é melhor do que dar ordens. Muitas vezes a criança muda de comportamento face a um pedido feito gentilmente.

c) Sugira comportamentos alternativos ? Diga: ?Escreve neste papel em vez de escreveres na parede. O papel foi feito para que escrevamos nele.? Quando os pais usam sugestões em vez de ordens, a criança considera que os pais são seus aliados para ajudá-la a modelar a sua conduta. Isso é muito importante.

d) Dê ordens ? mas somente quando for necessário, quando o pedido e a sugestão falharam; sobretudo se o comportamento da criança põe em risco o seu bem-estar. Por isso mesmo, uma ordem deve ser SEMPRE obedecida e os pais devem vigiar para se certificarem que foi cumprida. Devem também certificar-se de que a criança é capaz de a cumprir.

e) Use o castigo ? Privar uma criança de algo de que gosta ou lhe dá prazer, ou obrigá-la a algo que não gosta a fim de lhe fazer sentir que o seu comportamento não será tolerado, é um recurso disciplinar importante e eficaz. Os castigos devem ser adequados à idade, em proporção com a gravidade da falta e, tanto quanto possível, em relação com ela. As crianças são muito sensíveis à justiça e à lógica.

f) Punição física ? Quando se usam os meios descritos acima, as crianças optam, geralmente, por uma mudança positiva do comportamento. Mas pode acontecer, por vezes, que não sejam suficientes. Os pais têm que ser mais enérgicos e podem considerar necessário uma punição física, sobretudo quando há um desafio aberto à autoridade dos pais. Ao fazê-lo, devem dizer à criança porque o fazem, explicar-lhe o que não é aceitável no seu comportamento. Jamais se deve infligir castigos que marquem fisicamente, e os instrumentos de punição devem ser, tão somente, as mãos, o que basta. Nunca se deve bater na cara de uma criança. As nádegas continuam a ser a parte do corpo mais indicada para se receber o castigo.

g) Saber perdoar ? Quando uma criança se mostra sinceramente arrependida, a punição deixa de ter sentido, pois tem como objectivo isso mesmo, o arrependimento e a mudança. Quando perdoamos os erros aos nossos filhos, estamos a ensinar-lhes a perdoarem-se a si mesmos e a perdoarem aos outros, algo de que necessitarão ao longo da vida. É assim que Deus faz connosco, pobres seres humanos, tantas vezes aquém do que se esperaria de nós.

IV - Orientar e Transmitir Valores

a) Estabelecer regras e limites ? Melhor do que corrigir um mau comportamento, é orientar a criança para uma maneira de pensar e agir correctas. Os pais devem estabelecer as regras e os filhos devem obedecer, pois os pais, como adultos, é que sabem o que é bom para os filhos. As regras devem ser claras, simples, adequadas e firmes. As regras são para cumprir porque são boas e necessárias ao desenvolvimento dos filhos, e não segundo o estado de humor dos pais que podem eliminá-las quando bem dispostos ou exigir rigidamente o seu cumprimento quando descontentes.

?Pais não irritem os vossos filhos, mas eduquem-nos com disciplina e equilíbrio, em nome do Senhor? (Efésios 6:4).

A altura ideal para a integração das regras por parte das crianças, é dos dois aos cinco anos. Não quer dizer que não continuem a fazê-lo depois, mas este é o momento mais propício.

b) Transmitir valores ? As crianças não podem ficar entregues a si mesmas, ou à sociedade, sobre o que deve orientar a sua vida. Dar aos filhos um sentido para a vida é a tarefa prioritária dos pais e nesta tarefa, como em tantas outras, eles são insubstituíveis. Dizer-lhes o que é bom, o que vale a pena, quais os bens permanentes que devem orientar a vida e torná-la sempre mais fecunda. Ensinar-lhes a respeitarem-se a si mesmos, os outros e a amarem a Deus são valores permanentes.

c) A importância do exemplo ? As crianças não aprendem apenas com o que se lhes diz. Aprendem, sobretudo, interiorizando os comportamentos que observam nos pais. Eles são os seus modelos e o que fazem fala infinitamente mais alto e é muito mais eficaz do que o que dizem. Deus disse a Abraão: ?Que os mandamentos que hoje te dou estejam sempre na tua memória, ensina-os continuamente aos teus filhos e repete-os tanto ao deitar, como ao levantar, quer estejas em casa, quer vás de viagem? (Deuteronómio 6:6-7). O deitar, levantar, estar e viajar indicam o agir, por vezes inconsciente, dos pais diante dos filhos. Ao longo do seu crescimento, os filhos esquecem o que foi dito mas não o que foi vivenciado.

É certo que ser modelo é uma responsabilidade, mas é também um imenso privilégio, o aspecto mais nobre na arte de educar, porque obriga os pais a tornarem-se melhores pessoas por amor aos filhos. Este é o legado dos filhos aos pais.